O jogo de vídeo Fortnite está deixando de ser uma simples receita e está virando fenômeno cultural. Ao ponto de já ter até jogadores do campeonato inglês de futebol celebrando gols com a famosa dança do jogo – para incompreensão dos torcedores com mais de 25 anos, que não entendem a referência.

A importância do design

Um artigo recente do jornal Telegraph, analisando o sucesso de Fortnite, destaca o papel do design. Visando um target mais jovem, que vai, de uma forma geral, dos 7 aos 18 anos, o jogo adotou caraterísticas mais infantis, ao estilo “cartoon”, que o afastaram da dureza gráfica de outros jogos de “shoot’em up” como Grand Theft Auto. Se, por um lado, isso vem fazendo com o que jogo passe ao lado das críticas que envolvem o famoso GTA, ao mesmo tempo se revelou quase como um meio familiar. Adolescentes sedendos de emoção não sentiram que o jogo fosse realmente infantil.

Um novo modelo de negócio

Durante muitos anos, o modelo de negócio da indústria desenvolvedora de videogames funcionou na base da venda de um produto. O comprador pagava pelo produto e, depois disso, poderia jogar o tempo que quisesse. A desenvolvedora partia então para a criação de um novo jogo. Era esperado que as críticas e a reação do público, antes e após o lançamento, fossem o motor das vendas. Nos melhores casos, um bom jogo poderia esperar uma sequela de grande sucesso.

Hoje, as desenvolvedoras estão vendendo um serviço. Não há mais venda de cartucho (ou pelo menos esse não é o caminho da maioria dos grandes jogos de sucesso). Os jogos são acessados remotamente e o usuário não paga um fee, mas sim uma subscrição. As possibilidades de jogo, nomeadamente com outros jogadores remotamente, são muito maiores que no passado. Em alguns casos, como Fortnite, existe uma versão grátis – e isso certamente ajuda a que o jogo esteja virando um fenômeno cultural como nenhum videojogo conseguiu antes.